Colega de Trabalho - Parte 01
Eu me chamo Isa e vou contar para vocês algo que aconteceu comigo e contia acontecendo. O estoque do mercado onde trabalho sempre foi o meu esconderijo favorito. Entre as prateleiras altas de papelão, caixas empilhadas e o cheiro de papelão novo misturado com o frio do ar-condicionado, o mundo lá fora parecia sumir. E era sempre lá que eu encontrava o Gabriel.
Faz dois anos que trabalhamos juntos nessa rotina. Dois anos dividindo planilhas, notas de pedidos e, o pior de tudo, finais de semana inteiros. Afinal, nossos cônjuges são amigos de longa data. A gente se vê nos churrascos de domingo, nos jantares de casal, nas festas de aniversário da turma. Nós quatro rimos juntos, brindamos juntos, fingimos que somos apenas bons amigos.
Mas os casais que saem juntos para acampar não sabem o que aconteceu nas sombras deste estoque.
Entrei com a prancheta de pedidos na mão, sentindo o pulso acelerar antes mesmo de virar o corredor. Ele estava de costas, ajustando algumas caixas na prateleira mais alta. A camisa polo preta estava levemente esticada sobre os ombros largos, marcando cada movimento. O ar ficou pesado de repente.
— Gabriel — chamei, minha voz saindo um pouco mais baixa do que eu pretendia.
Ele parou, virou-se devagar e me encarou. O olhar dele nunca era casual. Havia sempre aquele peso, aquela carga silenciosa que parecia querer falar algo. Ele limpou as mãos em um pano, deu um passo à frente e encostou o quadril na borda da mesa de madeira.
— Isa. Achei que demoraria mais para trazer a lista de reposição hoje — ele disse, com aquela voz rouca que parecia vibrar direto no meu peito.
— Tive que resolver algumas coisas no caixa antes — respondi, aproximando-me mais do que o necessário. O corredor era estreito, e o calor que vinha dele parecia anular a refrigeração do ambiente.
O calor daquele estoque sempre me trazia memórias perigosas, mas a verdade é que nada na nossa história começou de repente.
Durante os primeiros meses, os dois anos inteiros que passamos dividindo planilhas e pedidos de mercadoria, tudo parecia perfeitamente sob controle. Éramos colegas educados, cordiais. Eu era a esposa dedicada do Junior, ele era o marido exemplar da Mariana. A gente se respeitava. O limite entre a nossa relação de trabalho e o nosso convívio de casais parecia uma linha de giz que nenhum de nós ousaria apagar.
Até que vieram os finais de semana.
Se o mercado era o lugar onde a gente fingia ser normal, as nossas folgas eram o laboratório onde o caos começou a se desenhar. O nosso grupo de quatro sempre foi festeiro. Não importava se era um churrasco na nossa casa, uma noite de filmes no sofá da sala, uma balada apertada ou aquelas acampadas na serra em que armávamos as barracas perto da fogueira: todas as nossas reuniões eram regadas a muita bebida.
E o álcool tem o péssimo hábito de arrancar as máscaras da gente e sempre nos deixava com aquela coragem perigosa, mas aquele acampamento em específico tinha mais gente. Além de nós quatro — eu, o Júnior, o Gabriel e a Mariana —, outros amigos da faculdade tinham ido junto. Eram umas 10 pessoas ao todo, o que tornava tudo mais caótico, barulhento e, ironicamente, mais fácil para passar desapercebido.
Já era tarde da noite. A caixa de som tocava um som abafado ao fundo. Todo mundo já estava bem alegre, rindo alto e espalhado pelas cadeiras de camping e esteiras no chão.
O dia tinha sido abafado, daqueles em que o calor parecia grudar na pele, e o lago logo ao lado do acampamento era o ponto de encontro perfeito. De dia, a gente passava horas na água. Quase todas as meninas usavam biquíni, e eu estava com um dos meus favoritos: um rosinha pink vibrante que modelava bem o meu corpo.
À noite, a dinâmica mudou. Alguém deu a ideia de irmos até lá ver o lago no escuro. Nem todo mundo foi, mas um grupinho de umas seis pessoas acabou seguindo o caminho. O lugar era um breu só, com raros clarões da lua refletindo na água escura, e caminhar pela margem exigía cuidado porque o chão era irregular e ruim.
Nós nos acomodamos em um deck de madeira que avançava sobre a água. Ficamos ali conversando, rindo e brincando na penumbra. Como a escuridão era quase total, mal dava para enxergar quem estava ao nosso lado. Mas eu sabia perfeitamente quem estava colado em mim: à minha esquerda, uma amiga nossa; à minha direita, o Gabriel.
A gente ria alto das brincadeiras do grupo, inventando planos absurdos e conversando abafado para os outros não ouvirem. A proximidade física já era eletrizante por si só, mas o breu dava uma sensação perigosa de impunidade.
De repente, senti um movimento perto de mim e levei um susto leve. Mas o medo sumiu num segundo, substituído por um formigamento imediato na espinha, quando percebi que era o Gabriel.
Na escuridão do deck, senti a mão dele roçar a minha coxa. O toque foi firme, quente e deliberado. Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, os dedos dele começaram a subir devagar pela minha perna, deslizando pela lateral do tecido do meu biquíni rosinha pink, contornando a curva da minha coxa até repousar na minha bunda.
Eu congelei na hora. Meu coração deu um salto violento na garganta, o ar sumiu dos meus pulmões e o meu corpo inteiro travou. Qualquer som ao redor pareceu abafado pelo zumbido ensurdecedor do meu próprio sangue pulsando.
O pânico gritava na minha cabeça para eu me afastar, dar um tapa na mão dele ou levantar dali imediatamente. Mas a curiosidade e o calor daquela ousadia foram mais fortes. O toque dele era pesado, possessivo, e a audácia daquele gesto no meio de todo mundo me desarmou por completo. Em vez de recuar, eu deixei.
Fiquei imóvel, fingindo prestar atenção na conversa do grupo, enquanto sentia a mão dele apertar levemente a minha bunda na penumbra, brincando com o tecido do meu biquine. Cada segundo parecia durar uma eternidade, misturando um medo e curiosidade.
Mais tarde, quando finalmente fomos deitar e o acampamento silenciou, eu fiquei deitada na barraca olhando para o teto de lona no escuro. Fiquei horas revirando na mente, tentando decifrar: será que ele fez aquilo só por causa da bebida?
Eu não disse uma palavra. Guardei tudo só para mim, mas aquela linha invisível que separava a nossa amizade da loucura tinha sido cruzada para nunca mais voltar.
Passaram-se alguns dias desde aquela noite no lago, e na superfície tudo parecia ter voltado ao normal entre nós. No mercado, a rotina seguia o seu ritmo burocrático de sempre: planilhas, notas fiscais, caixas e conversas profissionais na frente dos outros funcionários. Mas a verdade é que a minha mente continuava presa naquele deck escuro, revivendo o aperto da mão dele na minha coxa toda vez que nossos olhares se cruzavam pelos corredores.
Até que veio aquela tarde.
O movimento na loja estava calmo. Eu estava no balcão organizando umas faturas quando o Gabriel passou por mim, a expressão séria de sempre, e soltou baixinho:
— Isa, dá uma olhada no corredor quatro para mim. Preciso que você confira um lote de pedidos que chegou errado.
Não desconfiei de nada. Peguei a prancheta e caminhei até o corredor quatro, que ficava um pouco mais isolado, entre prateleiras altas de produtos de limpeza onde quase nenhum cliente passava àquela hora. O Gabriel já estava lá.
Ele estava parado em frente a uma das prateleiras do fundo, com as mãos nos bolsos da calça.
— Onde exatamente está o erro? — perguntei, aproximando-me e parando ao lado dele.
Ele apontou para o alto da prateleira, bem na altura dos meus olhos.
— Aqui, olha bem para essa etiqueta. O código não bate com o sistema.
Fiquei confusa. Estreitei os olhos, tentei ler os números miúdos da etiqueta, pensando "Ué, mas por que isso estaria errado?".
Antes que eu pudesse formular qualquer resposta, o meu erro foi baixar a guarda. No segundo em que virei o rosto e dei um leve passo para frente para enxergar melhor, ele se moveu com uma rapidez assustadora.
Em uma fração de segundo, o Gabriel parou bem colado às minhas costas. Não houve tempo para recuar. Senti o hálito quente dele roçando a pele sensível da lateral do meu pescoço, seguido imediatamente pelo roçar dos lábios dele beijando a minha pele com uma possessividade que me tirou o chão. Ele não disse uma única palavra.
Enquanto a boca dele mapeava o meu pescoço, o corpo dele pressionou o meu por trás. Senti o quadril dele encaixar com força e firmeza contra a minha bunda, me prensando contra a prateleira fria à nossa frente. Ele me encoxou com uma firmeza crua, urgente, deixando claro o tamanho do desejo que ele vinha contendo há semanas.
O susto foi tão violento, tão avassalador, que o meu cérebro travou por um instante. O choque de estarmos no meio do expediente, a poucos metros de qualquer colega poder virar o corredor, misturado com o calor repentino daquela investida silenciosa, fez o meu corpo inteiro se incendiar.
— Ga... Gabriel... — foi a única coisa que consegui balbuciar, minha voz saindo num sussurro trêmulo e sem ar.
Antes que ele pudesse me puxar de volta ou sussurrar qualquer coisa, o pánico me invadiu. Com um empurrão desajeitado, me desvencilhei dele, virei o corpo de uma vez e saí praticamente correndo por entre os corredores do mercado.
Fui parar no banheiro dos funcionários, trancando a porta com as mãos trêmulas. Encostei as costas na madeira fria, com os olhos arregalados, tentando recuperar o fôlego. O meu coração parecia que ia rasgar o peito e sair pela boca, batendo tão forte que ecoava nos meus ouvidos. Minhas pernas estavam bambas, a pele do pescoço ainda queimava com o rastro dos lábios dele, e o pior de tudo: por mais apavorada que eu estivesse com o risco de sermos pegos, a minha calcinha já estava completamente molhada.
Trancada ali no pequeno cubículo do banheiro dos funcionários, o cheiro de produto de limpeza misturava-se ao perfume amadeirado dele, que parecia ter grudado na minha pele. Levei as mãos trêmulas até o pescoço, sentindo o pulso acelerado. A pele ali estava febril, latejando exatamente onde os lábios dele haviam pecado sem pedir licença.
Minha respiração vinha em lufadas curtas, cortadas. Desci os olhos para o reflexo do meu corpo no espelho e me vi corada, com os mamilos duros contra o tecido da blusa, implorando por um toque.
Lembrei da pressão daquele encaixe. Do peso bruto do quadril dele contra a minha bunda, me prensando com força na prateleira fria. Ele não tinha apenas me tocado; ele tinha deixado claro o tamanho do pau dele, duro e latejante contra mim, mostrando que ele estava pensando nisso há muito mais tempo do que eu ousava imaginar.
Minhas pernas ainda estavam fracas, bambas. Devagar, incapaz de conter a onda de calor que me invadia por dentro, deslizei a mão por dentro da calça e afastei o tecido da calcinha que já estava completamente encharcada.
Quando meus dedos deslizaram pela minha buceta, um gemido abafado escapou dos meus lábios e eu encostei a testa na parede fria do box. Fechei os olhos com força, imaginando que, em vez dos meus próprios dedos, fossem os dedos dele — grossos, firmes e calejados pelo trabalho no estoque — me abrindo e me tomando sem pressa, ali mesmo, em cima de qualquer caixa, com o som do mercado abafado lá fora. Cada fricção me fazia contorcer o quadril no vazio, sentindo o clímax borbulhar perto e gostoso, me fazendo implorar mentalmente pelo próximo passo dele.
O pior — ou o mais deliciosamente perigoso — era saber que, daqui a poucas horas, nós estaríamos sentados na mesma mesa com os nossos cônjuges. O Júnior estaria rindo, talvez colocando a mão na minha perna de um jeito inocente de marido, enquanto a Mariana brindaria com o Gabriel. E ninguém, absolutamente ninguém naquela mesa, imaginaria que o homem que dividia a cerveja com eles era o mesmo que me deixava desmanchada e molhada no meio do expediente.
Saí do banheiro ainda com o coração disparado, a respiração presa e os nervos à flor da pele. Não demorou dois segundos para que ele aparecesse no final do corredor, com a expressão genuinamente preocupada.
— Isa... Você tá bem? Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou em um sussurro rápido, aproximando-se.
Ergui os olhos para ele, tentando recuperar a compostura, mas a minha voz saiu trêmula e acusatória:
— Tô... Tô bem. Mas isso não se faz, Gabriel! Você é maluco?
O ar de segurança dele desabou na mesma hora. Ele recuou um passo, com uma expressão meio boba, de menino arrependido, coçando a nuca:
— Poxa... Desculpa. Sério. Se você não gostou, juro que não faço nunca mais...
Interrompi-me antes que ele pudesse terminar, soltando um suspiro pesado que carregava toda a frustração e o desejo acumulados:
— Não... Eu não disse que não gostei. Eu gostei — sussurrei, sentindo o rosto queimar. — O meu ódio é justamente porque você me deixou assim... Toda molhada, com a cabeça a mil por hora.
Ao ouvir aquilo, a feição preocupada dele sumiu num piscar de olhos. Um sorriso torto e convencido desenhou-se nos lábios dele, e os seus olhos brilharam com uma intensidade perigosa.
A partir daquele dia, a linha invisível que nos separava parecia ter se rompido de vez. A nossa rotina no mercado ganhou uma camada extra de eletricidade; cada olhar cruzado nos corredores era uma promessa silenciosa, e qualquer esbarrão casual fazia o meu coração disparar.
Não demorou muito para que o próximo passo acontecesse. Era o segundo dia depois daquele episódio no corredor, e o movimento na loja estava calmo. Vi quando o Gabriel passou discreto por mim e fez um gesto quase imperceptível com a cabeça para o fundo do depósito, onde as prateleiras mais altas formavam um corredor quase invisível para quem passava pelo salão principal.
Meu estômago deu um salto. Larguei a prancheta de faturas no balcão e caminhei em direção ao depósito com o passo firme, mas sentindo o pulso acelerar a cada segundo.
Assim que dobrei o corredor e entrei nas sombras aconchegantes das caixas empilhadas, senti uma mão firme segurar o meu braço com delicadeza e me puxar para o espaço reservado entre as prateleiras. O cheiro do perfume amadeirado dele invadiu o meu ar imediatamente.
Ele me encostou de leve na parede de papelão, o corpo dele colado ao meu, impedindo qualquer fuga. Não havia pressa, mas havia uma urgência contida no modo como ele me olhava. Os olhos escuros dele mapearam o meu rosto por um instante antes de descerem para os meus lábios, como se estivessem pedindo permissão sem precisar de palavras.
Quando ele finalmente inclinou o rosto e me beijou, o mundo lá fora pareceu sumir por completo. Foi um beijo profundo, lento e carregado de todo o desejo que viemos guardando e fingindo ignorar por meses. A boca dele tinha um gosto familiar, mas agora era proibida, o que tornava tudo infinitamente mais inebriante. Senti os dedos dele deslizarem suavemente pela lateral do meu rosto, embrenhando-se no meu cabelo, puxando-me ainda mais para perto até que não houvesse mais nenhum espaço entre nós.
As minhas mãos encontraram o tecido da camisa dele, segurando firme nos ombros largos, enquanto o meu corpo respondia a cada toque com uma onda de calor que subia pela espinha. Ali, escondidos entre as caixas de estoque, com o barulho abafado do mercado ao fundo, nós éramos apenas nós dois — duas pessoas que cruzaram a linha sem volta e sabiam que não queriam mais voltar atrás.
O beijo foi apenas o primeiro tijolo a cair da nossa muralha. A partir daquele dia, o clima entre nós no mercado mudou de figura: a tensão que antes nos sufocava virou uma audácia constante, uma troca de olhares carregados de promessas e sussurros rápidos sempre que cruzávamos pelos corredores de estoque.
Cada plantão parecia uma contagem regressiva para o momento em que ficaríamos sozinhos de novo. A cada esbarrão, a cada entrega conferida, a nossa intimidade crescia e se tornava mais pesada, mais crua, como se o mundo ao nosso redor.
Até que a linha invisível que restava foi totalmente estilhaçada.
Era uma tarde de terça-feira. O mercado estava relativamente vazio, e os outros funcionários estavam concentrados no setor de depósito oposto ou em atendimento na frente. Eu estava organizando algumas caixas perto do balcão de notas quando o Gabriel passou por mim com uma caixa de papelão nos braços. Ele parou bem ao meu lado, fingindo conferir uma etiqueta, e inclinou o rosto na direção do meu ouvido. A voz dele saiu baixa, rouca, cortando o ar de um jeito que fez o meu estômago despencar:
— Isa... — ele murmurou, sem desviar os olhos das caixas. — Você tem coragem de pagar um boquete para mim aqui hoje?
A pergunta caiu como uma bomba no meio do silêncio do corredor.
O meu cérebro travou por um segundo inteiro. A pergunta pairou no ar, crua, direta, sem rodeios ou meias-palavras. O fôlego sumiu dos meus pulmões e o meu corpo inteiro reagiu antes mesmo que eu pudesse formular qualquer pensamento racional: o meu coração deu um salto violento no peito, as minhas bochechas arderam e um calor úmido e instantâneo inundou o meu meio das pernas.
Olhei para ele de sossego, com os olhos arregalados, dividida entre o choque absoluto e uma excitação febril que me cortava por dentro.
— Você... Você perdeu o juízo, Gabriel? — sussurrei, com a voz trêmula, olhando rapidamente para o final do corredor para garantir que nenhum funcionário ou cliente estava por perto. — Aqui? No meio da tarde? Alguém pode passar a qualquer segundo...
O Gabriel não se intimidou. Pelo contrário, ele deu um passo mais perto, o corpo grande bloqueando a minha visão, e abriu um sorriso lento, cheio de uma certeza prepotente que me desarmava por completo.
— Ninguém vai passar. O corredor do fundo tá completamente livre, e eu já tranquei a porta de serviço lateral — ele murmurou, a voz grave vibrando direto na minha pele. Os olhos escuros dele queimavam, fixos nos meus lábios. — A menos que você não queira... Mas eu sei que você tá com vontade tanto quanto eu, Isa.
Minhas pernas ficaram bambas. O pior — e o mais delicioso — era que ele estava absolutamente certo. A simples ideia de me ajoelhar ali, no chão frio daquele estoque, com o risco constante de sermos pegos a qualquer instante, fez o meu corpo inteiro latejar de tesão. Minha calcinha já estava encharcada só de imaginar ele duro para mim.
Engoli em seco, sentindo a pulsação nos meus ouvidos. A sanidade gritava para eu mandar ele calar a boca e voltar para o caixa, mas o fogo que ele acendia em mim era muito mais forte.
O coração parecia querer escapar pela boca. Com as mãos trêmulas e o corpo queimando em pura adrenalina, deixei que a realidade do mercado desaparecesse por um instante, focada apenas na figura do Gabriel bem ali na minha frente.
Com um movimento calmo, mas carregado de uma expectativa voraz, ele deu um passo para trás na penumbra do corredor isolado. Seus dedos envolveram o metal do zíper da calça, descendo-o com um som sutil que ecoou como um trovão na minha mente.
Quando ele abriu a calça e liberou o que estava preso, meus olhos desceram instantaneamente.
O que se revelou diante de mim tirou o pouco de ar que me restava. Era um espetáculo à parte. Um Pau delicioso liso, perfeitamente depilado, com uma textura que parecia macia e firme ao mesmo tempo. Não era daqueles exagerados em comprimento, mas compensava de sobra onde importava: era notavelmente grosso, robusto, muito mais encorpado do que o do meu marido.
Fiquei hipnotizada pelos detalhes. Diferente de tudo o que eu já tinha visto, ele tinha pouquíssimas veias marcadas, o que dava uma aparência limpa e perfeita. Ele repousava levemente empinado para cima, como se estivesse impaciente, coroado por uma cabeça um pouco maior que o corpo, de um tom rosado vivo e úmido na ponta que parecia implorar por atenção.
O cheiro dele misturado ao perfume amadeirado preencheu o meu espaço. Minhas pernas fraquejaram de vez e eu soube, com absoluta certeza, que já não havia caminho de volta.
O calor no corredor parecia sufocar qualquer resquício de racionalidade. Olhei para ele, depois para aquela realidade pulsante bem na minha frente, e senti o corpo ceder completamente ao desejo.
Sem pensar duas vezes, deixei meus joelhos cederem contra o chão frio do estoque, arrumei meu cabelo, o som abafado do mercado lá fora parecendo pertencer a outro mundo.
Aproximei o rosto, sentindo o calor irradiando daquela pele macia e perfeitamente lisa. Antes de qualquer coisa, aproximei os lábios e deixei um selinho leve na ponta rosada, sentindo o gosto e a textura úmida da cabeça dele. Ouvi o Gabriel soltar um suspiro abafado, os dedos dele imediatamente se embrenharem de leve no meu cabelo, segurando com firmeza, mas sem pressa.
Abri a boca devagar, contornando a cabeça com a ponta da língua em um círculo lento que o fez contrair os ombros. A espessura dele preenchia a minha boca de um jeito que exigia que eu abrisse bem os lábios. Envolvi a cabeça rosada e comecei a descer, fazendo um movimento compassado, sentindo o corpo dele rígido e pesado contra a minha boca.
O formato grosso e liso deslizava perfeitamente entre os meus lábios e a minha língua, enquanto minha mão livre envolvia a base firme, controlando o ritmo. Cada ida e vinda trazia um som úmido e abafado no silêncio do corredor, e o cheiro dele misturado ao perfume parecia entorpecer meus sentidos.
Acelerei um pouco o movimento, sentindo a respiração dele ficar cada vez mais curta e pesada acima de mim, os dedos nos meus cabelos apertando um pouco mais conforme a urgência começava a tomar conta.
O ritmo foi se tornando mais urgente, ditado pela respiração ofegante do Gabriel e pelo calor que subia vertiginosamente pelo meu próprio corpo. Cada investida da minha cabeça para frente e para trás fazia o pau grosso e liso preencher totalmente a minha boca, esticando meus lábios e exigindo toda a minha atenção.
A mão dele nos meus cabelos deixou de ser apenas um apoio e passou a guiar o movimento com firmeza, ditando o compasso. — Isso, Isa... assim... — ele murmurou, com a voz rouca, quase um rosnado abafado que vibrava bem acima de mim.
O som dos nossos movimentos era a única coisa que cortava o silêncio daquele canto isolado do estoque. A lubrificação natural misturada à saliva escorria pela base, fazendo a pele lisa deslizar ainda mais fácil. Eu podia sentir o quanto ele estava duro, o corpo inteiro duro pela tensão do momento e pelo risco constante de sermos interrompidos por qualquer funcionário que virasse o corredor. E era justamente esse perigo iminente que transformava o tesão em uma brasa viva.
Senti o Gabriel dar um passo sutil para frente, empurrando um pouco mais o comprimento robusto para o fundo da minha boca. Um reflexo de engasgo leve me fez fechar os olhos por um segundo, mas a sensação de tê-lo tão preenchida e dominada me deu uma onda de poder e excitação absurda. Voltei a puxar o ar pelo nariz, focando no sabor e na textura dele, acelerando as batidas da língua na parte de baixo, bem onde a sensibilidade parecia deixá-lo ainda mais louco.
A respiração dele virou um fôlego pesado, cortado. Os dedos nos meus cabelos apertaram com mais força, segurando firme o ritmo. — Isa... caralho... — ele sibilou entredentes, o quadril dando pequenos impulsos involuntários para a frente, encaixando perfeitamente na minha boca.
O calor no meu próprio corpo já estava insuportável; a calcinha continuava encharcada, e o atrito dos meus joelhos no chão frio do estoque mal era sentido diante da febre que me consumia por dentro. Sabíamos que não podíamos esticar muito mais tempo ali, expostos daquele jeito, mas nenhum de nós queria parar.
O ritmo que ditávamos naquele canto isolado do estoque parecia ignorar qualquer senso de perigo. Cada movimento meu correspondia exatamente ao fôlego dele, e a pressão que ele exercia ali, tão perto de estourar, transformava o ar em pura eletricidade.
Foi nesse exato segundo que comecei a sentir a intimidade dele dar alguns pequenos espasmos. Os músculos sob a pele firme contraíram-se de repente, um aviso físico inconfundível de que ele estava no limite, prestes a perder o controle.
Os dedos dele nos meus cabelos apertaram com força, quase me puxando para cima, enquanto a respiração dele falhava completamente, virando um sussurro rouco e entrecortado:
— Isa... caralho, espera... eu não vou conseguir segurar...
O aviso dele chegou tarde demais.
Os espasmos na base do pau dele já não eram um pedido. Eram um fato. A mão nos meus cabelos puxou com mais força, o quadril deu um impulso curto e descontrolado, e o gemido que ele tentou engolir morreu no peito como um rosnado abafado.
— Isa… porra…
Eu não recuei.
Fechei os lábios em volta da cabeça rosada, sentindo o corpo dele tremer inteiro. O primeiro jato veio quente, denso, batendo no céu da boca com uma urgência que me fez soltar um som abafado contra ele. O segundo veio logo depois, mais forte, e eu engoli o que pude, sentindo o gosto salgado se misturar à saliva que já escorria pelo queixo. A mão livre apertou a base, extraindo o resto enquanto ele se curvava um pouco sobre mim, respirando como se tivesse acabado de correr.
Por alguns segundos, o estoque inteiro pareceu parar. Só existiam o barulho distante de um carrinho no salão, o ar-condicionado zumbindo e o peito dele subindo e descendo, irregular.
Quando ele finalmente soltou meu cabelo, os dedos ainda tremiam.
CONTINUA...


Comentários
Postar um comentário