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Família da Minha Namorada - Parte 06

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  No dia seguinte, o Gabriel comeu, sentou no sofá e abriu a televisão. A Sandra passou por ele com a bolsa no ombro. — Vou na Júlia passear. A Karine e o Vitor vão comigo. Não demora. Ele nem tirou o olho da tela. A gente atravessou a rua sem pressa. A luz da varanda da Júlia já estava acesa. Ela abriu antes da gente bater, olhou para a Karine, depois para mim, e deu passagem. Assim que a porta fechou, meu pau endureceu na hora. A Júlia estava de bermudinha curtinha, o tecido fino marcando a buceta, e só de sutiã em cima. A Karine olhou de cima a baixo e soltou, rindo: — A putinha já tá pronta. A Júlia sorriu, sem se cobrir. — Vem. Quero mostrar o quarto. O quarto era pequeno. Cama arrumada, uma cadeira ao lado, abajur baixo. Tinha música já ligada, baixinha, e uma garrafa com copos na cômoda. A Sandra sentou na cadeira sem pedir licença, as pernas cruzadas, o olhar preso na Júlia. — Bebida — a Júlia ofereceu, enchendo os copos. — Acho que todo mundo precisa. A gente b...

Família da Minha Namorada - Parte 05

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  Acordei com a claridade entrando pela fresta da janela sanfonada. A Karine ainda dormia de lado, o cabelo loiro espalhado no travesseiro, a respiração pesada de quem tinha apagado tarde. O puxadinho estava abafado. Eu fiquei um tempo olhando o teto, com a noite anterior inteira martelando: a janela aberta, a Sandra na moldura da pia, a voz dela pedindo para eu meter fundo, o gemido abafado lá na cozinha. Levantei sem fazer barulho e fui até a sala. A Sandra já estava lá. Sentada na ponta do sofá, de camiseta larga e short de ficar em casa, o cabelo preso de qualquer jeito, uma xícara na mão. A televisão estava ligada no mudo. Quando me viu, ela não sorriu. Só endireitou as costas. — Bom dia — falei, meio sem saber onde pôr a mão. — Bom dia, Vitor. — A voz saiu baixa, seca. — O café tá na mesa. Se quiser. Fui até a cozinha. A janela do puxadinho estava fechada. Sem cortina, mas fechada. Enchi uma caneca e voltei. Fiquei em pé um segundo, depois sentei na outra ponta do sofá, ...

Família da Minha Namorada - Parte 04

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  O peso da ressaca na manhã de domingo parecia esmagar o meu crânio. A cabeça latejava no mesmo ritmo compassado do meu coração, e o gosto de vinho azedo na boca misturado com o bafo de cansaço criava uma ressaca daquelas de arrancar o couro. Olhei para o lado na cama do puxadinho e a Karine estava lá, encolhida, com o rosto enfiado no travesseiro, resmungando baixinho um palavrão a cada mexida que dava. A gente demorou para conseguir levantar. Quando finalmente criamos coragem para arrastar os pés até a sala, a claridade da manhã parecia uma faca cortando os olhos. A Sandra estava lá. Sentada no mesmo sofá onde tudo tinha desabado na noite anterior, ela assistia a alguma coisa na TV com uma postura rígida, o olhar fixo na tela, sem esboçar absolutamente nenhuma reação. O semblante dela estava fechado, sério, quase impenetrável. Na mesinha de centro, os copos vazios e a garrafa de vinho tombada ainda guardavam as marcas do caos da véspera. Assim que a gente apareceu no vão da port...